fevereiro 26, 2008

Tony Blair lavando as louças

Quem assistiu o filme “A Rainha” (2006), que mostra os perrengues passados pela rainha Elizabeth II, após a morte da princesa Diana, talvez se lembre da cena em que o antigo primeiro ministro inglês, o recém eleito Tony Blair, discutia, com sua esposa, a respeito de sua posição pessoal quanto ao absolutismo. Blair, irritado com as provocações se despede, tendo uma bandeja de louças sujas, dizendo:
- Vou lavar a louça.

Tony Blair, primeiro-ministro da Inglaterra, lava os pratos do jantar. Em seu apartamento minúsculo, entre decisões que influenciam grande parte do globo, entre reuniões com os dirigentes mundiais, lava a louça do jantar. Fantástico.

Numa outra cena a rainha Elizabeth recrimina seu filho, Charles, por demonstrar interesse em alugar um jato particular. Nesse momento a família real acabara de receber a notícia do acidente da princesa.

No primeiro caso, é fantástico ver um político de suma importância avesso aos luxos que o alto cargo, na maioria das vezes, proporciona. Nada de casas de vidro com vista pro mar e 200 empregados.

No segundo caso, nota-se uma preocupação fortíssima da realeza, com a opinião pública quanto aos gastos desta mesma.
Ora, quem sabe se houvesse essa mentalidade na classe política brasileira. Se o Sr. Político, assim que se encontra eleito, não pensasse que é uma divindade, desejando ser idolatrado por uma centena de lacaios, a política brasileira não seria um tanto mais austera.

De fato, o salário da classe política é absurdamente maior que o salário mínimo, o qual serve como base para o pagamento da mão de obra barata, que é abundante. Mas o ponto que quero ressaltar é que tem de ser revertida essa tendência de alto-glorificação do ser político. Nada de aviões da FAB. O político tem que andar como anda a população. É claro que pedir que o prefeito Paulo Hartung pegue o 507, depois de discutir e assinar os nossos interesses, soa um tanto exagerado, mas imagine se Renan Calheiros tivesse essa sorte, após ter seus feitos políticos e financeiros trazidos a tona pelo jornal nacional.

Post by Rafael Barbieri Camatta.

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