agosto 10, 2008

O Processo jamais visto.

Obs: Due é dois em francês
Depois da bebedeira, Due chegou em casa totalmente alterado, chutou o portão tropeçou na mangueira caiu sobre a casa do cachorro e se apoiou no dono da casa para se levantar. Este não ficou muito satisfeito de ser usado como bengala, ainda mais num dia em que, por conta do porre, o dono sequer se lembrara de encher-lhe a cumbuca de ração, ocupando-se somente em encher-lhe a paciência. E, hora, vejam vocês, além de tudo, usou-o como apoio! Aquele cheiro de cachaça, aquela marofa de cigarro com perfume de banheiro de boteco. Aquilo não podia ficar assim! Pensava o cão que se os cães se orientam pelo faro, ninguém poderia culpá-lo caso desse uma mordida, de leve, vingativa, naquele sujeito fedorento que ali o pressionava contra o chão, utilizando-o, logo ele, que havia sempre sido fiel, que estava ali, sempre presente, sempre contente! Todos pensariam, mas o cão não o reconheceu, pobre cão, faminto, cansado, pobre cãozinho! As conjecturas deram-lhe impulso para descontar todo o seu ódio numa mordida um pouco acima do tornozelo, que somada a toda ebriedade, deu continuidade ao caminhar desastroso que se seguiu até que nosso personagem caiu no tapete de seu quarto, com a cama a meio metro, só pra completar a cena.
Na manhã seguinte, Due, conferindo os estragos que havia ocasionado por conta das intervenções que o álcool havia inferido em seu cérebro, resolveu tomar uma atitude jamais vista no sistema judiciário: Processar-se a si mesmo.
O Processo se deu de maneira relativamente tranqüila, houve momentos comoventes, como quando o cachorro deu seu depoimento sobra a fome a qual havia passado naquele fatídico dia, momentos hilariantes, como a reconstituição em animação gráfica encomendada pelo advogado de defesa, da cena, onde Due era caracterizado como um quase Didi Mocó, da época em que este tinha graça. No final, o juiz deu o veredicto a favor da acusação, o que era óbvio. Due percebeu que a história não era uma boa idéia, um tanto tarde. Com os advogados de defesa, gastou praticamente metade de todos os seus bens, os quais haviam sobrevivido ao desastre. Com a outra parte, a acusação, gastou a outra metade. Até o cachorro lhe foi tirado, e apesar de Due estar em completa miséria, foi a sorte do cachorro a mais sombria. Haveria de permanecer com um advogado, residir com um advogado, SER AFAGADO POR UM ADVOGADO! Com Due, passava fome de vez enquanto, mas este apesar de tudo, tinha um coração. Não era nenhum advogado.

Rafael Barbieri (http://www.acasosirrisorios.blogspot.com/)

5 comentários:

Noh disse...

que lindo amiga!

bjo bjo =*

amo

Nana Atallah disse...

Lindo? Oo

Anônimo disse...

Nossa moça que blog lindo, lindas palavras...
Você tem email?
Não quer colaborações?
Penso parecido!
Beijos!

meu email: amanda_becara@hotmail.com

Paulo disse...

po cara, meu irmão é advogado.

Anônimo disse...

Um mestre é uma pessoa que nos ensina qualquer coisa, como ler, escrever ou fazer um desporto.

Não, é mais do que isso, é alguém que nos orienta no mundo, nos faz crescer, nos ajuda a sermos o que podemos ser. E isto sem nos oprimir e deixando desabrochar as nossas potencialidades. Há também uma relação pessoal em que entra em jogo a qualidade humana de ambos.

Este tipo de relação mestre aluno hoje em dia está muito enfraquecida, tanto em casa como na escola

A relação entre a geração mais jovem e o mundo adulto está cada vez mais relacionada com as imagens, como os desenhos animados, os filmes da televisão, a PlayStation e também com actividades físicas como ginástica, natação, ténis, equitação, basquetebol, voleibol, dança, canto, música.
É uma correria contínua de um sítio para o outro, uma indigestão de estímulos
Os jovens reagem criando uma comunidade própria na qual comunicam por meio de frases breves, músicas, imagens, mas também procuram um modelo, alguém que lhes sirva de guia.

Noutros tempos, os mestres eram os sacerdotes, os políticos, os poetas, os filósofos, os escritores.

Hoje são sobretudo os cantores. Através da junção música-imagens-palavras, indicam-lhes os caminhos da emoção, os estímulos vitais.

Esquecemo-nos muitas vezes de que todos os seres humanos precisam de atribuir um significado à vida. É isso que procuram os jovens em todas as pessoas que conhecem: amigos, amores, cantores. Mas também querem que seja um encontro livre, não uma imposição.
Querem descobri-lo como sempre fizeram, como farão sempre, com espírito crítico, virados para a novidade, para o futuro, para a criação.

Vão em busca de quem perceba esta exigência e saiba dar-lhes respostas.

Têm de sentir que acreditamos neles, que estamos implicados e que queremos trabalhar com eles, que queremos criar em conjunto e realizar uma obra comum, colectiva.

Têm igualmente de sentir que sabemos para onde vamos, mas que eles são livres de nos seguirem, que são escutados e levados a sério.

É só nessa altura que nos tornamos mestres: quando traçamos em conjunto o caminho a percorrer.


Ass: Mário